Mas creio que o problema não tenha sido esses 4km a mais, mas sim, a decisão de correr uma meia maratona, a segunda do ano, sem o devido fortalecimento. Correr sem um planejamento: esse foi o meu erro.
Fato é que que nos dias que se seguiram a dor continuou. Resolvi dar um tempo, colocar gelo, pomadas analgésicas, emplastros... Fiquei de molho uns dias e decidi tentar correr de novo: dores novamente. Eu tentava acreditar que era uma fase, que ia passar. Mais uma semana de descanso, e nova tentativa. Me senti melhor, mas não 100%. E fui seguindo, tentando disfarçar a situação para mim mesma, acreditando que da próxima vez iria ser diferente e eu não iria sentir dor. Nesse meio tempo, fiz até um longo percurso de bicicleta (38,4km de casa até o trabalho), e percebi que até para pedalar estava difícil. E todos os dias a dor me visitava, não dava mais pra fingir que ela não estava ali.
Finalmente em fevereiro/2015 resolvi procurar um médico. Após a ressonância magnética do joelho esquerdo, veio o diagnóstico: condromalácia patelar. A essa altura, eu também já sentia dores de igual intensidade no joelho direito também, o que, segundo o médico, era normal pois, por compensação, o joelho bom força mais e acaba sofrendo a mesma lesão também.
A condromalácia patelar "acontece quando há a degeneração da cartilagem do joelho que fica entre a patela (osso do joelho) e o fêmur (osso da coxa)."
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| Crédito da citação e da imagem: artigo do site O2 por minuto |
O tratamento indicado foi fisioterapia inicial para analgesia das dores e em seguida um plano para fortalecimento, principalmente dos músculos da coxa. Parecia simples, mas foi aí onde começou a saga onde me encontro há mais de um ano...
(Faço aqui uma pausa para explicar que, mesmo estando o texto longo, vou publicar a história num único post, para deixar as informações o mais completas quanto possível)
Vamos à cronologia dos fatos:
Fevereiro/2015: iniciei a fisioterapia e acreditava que as atividades realizadas no Pilates iriam cuidar da parte de fortalecimento indicada pelo médico. O problema era que além do Pilates, eu também fazia no mesmo Studio, aulas de NeoPilates e Treinamento Funcional, e essas atividades, de certa forma, forçavam meus joelhos lesionados, mas continuei normalmente, sem restrições.
Ao final de 10 sessões de fisioterapia, nada mudou, mas eu também continuava "serelepe". Ainda mantive outros exercícios ao ar livre: caminhadas, pedaladas, e até arriscava umas corridinhas de vez em quando.
Março/2015: busquei outro médico, dessa vez um especialista em joelho, no Rio de Janeiro. Através de novos exames, foram diagnosticadas novas lesões: síndrome do atrito da banda iliotibial, e tendinite na "pata de ganso"
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| Créditos da citação e da imagem: artigo do site O2 por minuto |
A síndrome do atrito da banda iliotibial "atinge a região externa dos joelhos: quando a banda iliotibial (músculo que se origina no quadril, atravessa o joelho e se insere na tíbia) fricciona com uma proeminência óssea do fêmur denominada epicôndilo (localizada, justamente, na lateral do joelho), o desgaste acaba gerando uma inflamação no músculo."
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| Créditos da citação e da imagem: artigo do site Vidal Saúde |
Tendinite da pata de ganso "é uma inflamação dos tendões dos músculos grácil, sartório e semitendinoso, localizada na região interna do joelho. O nome foi dado devido à forma como estes tendões se inserem nesta região, em um formato que lembra uma pata de ganso."
Abril/2015: parei com as corridas e qualquer outro exercício de impacto ou que forçasse os joelhos, troquei de clínica de fisioterapia, mas o tratamento aplicado foi muito parecido com a anterior: uma hora de atendimento com os mesmos aparelhos, mais alguns exercícios que eu inclusive sentia dor ao fazer, mas que o fisioterapeuta me dizia pra continuar e repetir. Um mês inteiro se passou e eu não obtive melhora significativa.
Maio/2015: marquei nova consulta com o médico no Rio de Janeiro e expliquei para ele tudo o que estava sentindo, que a fisioterapia não estava fazendo efeito, e que as dores persistiam. A conclusão foi que minha insistência em continuar treinando e ignorando as dores, achando que iniciar o tratamento era suficiente para me recuperar, aliado ao fato de que a fisioterapia não estava sendo eficiente, contribuiu para agravar a situação.
Finalmente eu me dei conta que precisava tomar atitudes racionais se eu quisesse mesmo ficar boa e voltar a correr. Iniciei aulas de natação, e por mais estranho que pareça, tive que sair do Pilates, pois percebi que não conseguia completar uma aula sem sentir dores nos joelhos.
Junho/2015: tirei férias do trabalho e tomei a decisão de ir para o Rio de Janeiro me tratar na mesma clínica do médico especialista que procurei. Julguei que com uma equipe integrada, o tratamento iria ser melhor direcionado. E tive sucesso. Pela primeira vez senti as dores retrocederem ao invés de se intensificarem. Mas em novas consultas semanais com o médico, passei a perceber uma dor no lado esquerdo do quadril que, após a ressonância magnética, foi diagnosticado como bursite trocantérica, além do reflexo da inflamação da banda iliotibial.
"A bursite trocantérica é a inflamação de uma saliência que fica sobre os músculos laterais do quadril, causada, sobretudo, por microtraumas repetitivos de contato. Essa fricção constante, gerada por excesso de treino, entre outros fatores, chega a degenerar os tendões de músculos e tecidos fibrosos que se inserem numa mesma área do fêmur, o grande trocânter (...). Além dos microtraumas, a principal causa da bursite trocantérica são os desvios posturais e as mudanças funcionais dos músculos do quadril."
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| Créditos da citação e da imagem: artigo do site O2 por minuto |
Julho/2015: apesar dos esforços, eu ainda sentia dores, e não me sentia pronta para voltar a correr. Busquei uma nova clínica de fisioterapia em Macaé, onde pude encontrar atendimento semelhante ao que tive no Rio de Janeiro. O tratamento é direcionado de acordo com os sintomas que eu apresento no dia da sessão e os exercícios de fortalecimento são de acordo com meus limites. Parece óbvio que esse seria o tratamento adequado, mas em se tratando do serviço de fisioterapia na região onde moro, uma clínica assim é um verdadeiro achado... Estou nesta clínica até hoje e muito satisfeita com o atendimento. Melhorando pouco a pouco a cada dia. Na mesma clínica também faço sessões de RPG buscando o reequilíbrio postural e evitar futuras lesões por compensação de esforços, como foi o caso da bursite trocantérica. Decidi também procurar uma nutricionista, e cuidar da alimentação, com o objetivo de emagrecer, para não sobrecarregar mais os joelhos com meu próprio peso, e visando também uma alimentação funcional e anti-inflamatória.
Agosto/2015: intensifiquei a busca pela prevenção. Além de tratar as dores, queria evitar que elas aumentassem, ou que novas dores aparecessem. Busquei um novo Studio de Pilates onde desde o começo revelei minha intenção de fazer exercícios específicos de reabilitação para as dores que eu sinto. A professora é uma fisioterapeuta muito cuidadosa que está sempre atenta aos meus movimentos e tem sempre um novo exercício em seu repertório, quando chego com alguma queixa.
Setembro/2015: voltei a pedalar com regularidade, e sem dores. Minha relação com o pedal é assunto para um post específico que vou escrever em breve. O que tenho a dizer é que essa fase me deixou particularmente feliz por poder voltar a fazer exercícios ao ar livre. Além disso continuava na natação e fisioterapia. Minha situação se estabilizou, a dor não avançava, nem retrocedia. Mas ela permanecia ali, mesmo quase imperceptível. Contudo, minha qualidade de vida havia melhorado bastante.
Outubro/2015: tirei novo período de férias, e dessa vez resolvi passear e relaxar. Dei uma parada nos esportes e na fisioterapia. Mas nesse período de repouso, não senti dores nos joelhos, apenas o quadril persistia com dor.
Novembro/2015: diante do cenário de estabilidade, senti segurança para tentar correr. Resolvi dar uma "corridinha pra testar os joelhos", e o resultado foi frustrante. Deveriam ser 40 minutos alternando ritmos entre leve e moderado, mas aos 20 minutos do exercício, dores fortes voltaram a surgir nos joelhos e concluí o treino apenas caminhando. O dia seguinte ao treino foi de dores constantes nos joelhos e quadril. Fui às sessões de fisioterapia e às aulas de Pilates naquela semana pedindo socorro para alívio dessas dores.
Por orientação da fisioterapeuta do RPG, fiz uma avaliação para a confecção de uma palmilha especial para melhoria da postura e da pisada. Desde então tenho usado essas palmilhas e sinto mais conforto no caminhar. Sinto que a nova postura alcançada com as palmilhas protegem as regiões doloridas.
Dezembro/2015: completei um ano de lesão, confesso que não imaginava que um ano inteiro se passaria e eu ainda não estaria recuperada. Mas fiz o que estava ao meu alcance. Finalizei 2015 com a certeza de que estava bem melhor do que quando comecei. Perdi 10kg, melhorei minha saúde, meu metabolismo, e meu rendimento nas pedaladas. Falta apenas a "cereja do bolo": voltar a correr.
2016...: a partir de janeiro incluí as caminhadas como treino de rotina semanal. A ideia é reservar esse tempo como um hábito e que no futuro ele seja preenchido com as corridas, quando eu voltar. Passei a mentalizar diariamente que quero muito voltar a correr, e projetar esta realização, mandando a mensagem para o cérebro tornar possível. A positividade também faz parte do tratamento. Até agora há um conjunto de fatores contribuindo para a minha recuperação:
- Fisioterapia;
- Pilates;
- RPG;
- Dieta orientada por nutricionista;
- Medicação adequada receitada pelos profissionais que me acompanham;
- Atividade aeróbica (bike, natação, caminhada);
- Palmilha postural.
Ah!... Quanta falta eu sinto de fazer aqueles treinos, aqueles percursos na minha cidade, nas calçadas, nas ruas, na praia... Lamento por todas as vezes que estava em casa, saudável, com tempo livre, e simplesmente decidi não ir correr. Que desperdício!
Na semana passada, ousei tentar correr novamente. Eu estava receosa, queria voltar com a segurança de que não sentiria dor, por isso estava adiando tanto esse momento. Tentei fazer o mesmo treino de novembro. Esse treino é baseado numa planilha do site O2 por minuto com o foco no "Retorno de lesões". Estou insistindo nela por acreditar que tem a consistência necessária para a volta aos treinos após a recuperação. Dessa vez me senti melhor do que a anterior. Completei os 40 minutos correndo no ritmo definido na planilha. Senti um pouco de desconforto durante o percurso, porém, resolvi continuar. Ao final do treino senti aquela satisfação do dever cumprido e o desconforto parou. Parecia mais uma adaptação do corpo aos novos movimentos. Nos dias seguintes, senti ainda um cansaço nas pernas e nos joelhos, mas é uma dor diferente da manifestação da lesão. Eu me recordo que foi assim também com a bicicleta. Nas primeiras pedaladas o corpo reclamava um pouco, até que um dia eu não senti mais dor ao pedalar. Vou persistir com os treino desta planilha, talvez com intervalos maiores entre um treino e outro, e um ritmo bem leve, para o corpo entender o que está acontecendo.
Na semana do carnaval optei por descansar e não treinar nenhum dia. Quero voltar gradativamente às atividades a partir de segunda-feira: fisioterapia, Pilates, bike, natação... Sei que nessa "receita" ainda está faltando um ingrediente: musculação. Será o meu próximo passo. E espero conseguir atualizar no blog em tempo real o meu progresso a partir de agora.
A você que leu até aqui, agradeço de coração. Decidi escrever a história completa numa única postagem, não queria quebrá-la em partes, porque ela é longa mesmo, e merece ser contada por inteiro. Escrever serviu como uma terapia para mim, uma retrospectiva de tudo o que passei nesse um ano de tratamento. Que sirva de inspiração e esperança para quem esteja passando pelo mesmo problema. Eu ainda estou no meio do caminho, mas em nenhum momento passou pela minha cabeça a ideia de desistir.
Um grande abraço.
Bons treinos!



